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Ancestralidade e Identidade

Secult-PB realiza 5º Festival da Cultura Quilombola, no município de Conde

publicado: 24/11/2025 10h29, última modificação: 24/11/2025 13h02
A cultura quilombola esteve presente a partir de seus mestres e mestras, crianças e jovens em suas diversas expressões artísticas
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O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PB) e da Secretaria de Estado das Mulheres e da Diversidade Humana (Semdh), realizou no último sábado (22), no município de Conde, o 5º Festival da Cultura Quilombola. O evento foi organizado pela Central Única das Favelas - Paraíba (CUFA-PB).

Quem passou pelo Shopping Rural entrou para prestigiar e se misturou com toda a comunidade local, para viver momentos memoráveis das diversas representações culturais quilombolas que contaram com apresentações artísticas do Quilombo de Fonseca (Manaíra), do Quilombo Domingues Ferreira (Tavares), do Quilombo Talhado Urbano e Talhado Rural (Santa Luzia), do Quilombo Vinha (Cajazeirinhas), do Quilombo Caiana dos Crioulos (Alagoa Grande), do Quilombo Cruz da Menina (Dona Inês), do Quilombo Paratibe (João Pessoa) e dos quilombos Mituaçu, Gurugi e Ipiranga do município de Conde, anfitriões da celebração. 

Reforçando a ancestralidade e a identidade quilombola que se mantém viva na Paraíba, durante todo o sábado a cultura quilombola esteve fortemente presente a partir de seus mestres e mestras, crianças e jovens em suas diversas expressões artísticas como: coco de roda, tambores, artesanato, forró, reisado, capoeira, dança afro e cirandas. 

A gerente de Articulação Cultural da Secult-PB, Érika Catarina, que representou o secretário de Estado da Cultura, Pedro Santos, ressaltou a importância do mestre Marcos Silva, do Quilombo Mituaçu e da mestra Ana do Coco, do Quilombo Ipiranga. 

"Somos a parte executora do festival. Nada disso seria possível se não tivessem pessoas como esses mestres e mestras das artes. Essa versão do festival teve uma curadoria consultiva que foi de enaltecer a sabedoria Griô. Na lista dos mestres da Paraíba, a maioria é quilombola e são mestres. Essa é uma política de estado que chega no quilombo muito antes do que efetivamente realizar os festivais. Então é uma conjuntura de diálogo constante com as comunidades quilombolas e hoje é um dia de celebração da tradição quilombola, um dia memorável. É muito importante para nós que fazemos cultura na Paraíba, poder promover e viver momentos como esse", frisou Érika Catarina. 

A anfitriã do festival, Nevinha Silva, do Assentamento Tambaba, falou sobre a satisfação de estar celebrando junto ao seu povo. "Para mim é uma honra receber o festival, eu nem imaginaria que teria esse privilégio, abrir as portas para receber esse grande evento e todas essas pessoas de quilombos. Eu como mulher preta, que defendo e levanto essa bandeira de valorização da nossa história, então é um orgulho para mim que cresci e vivo aqui no assentamento tambaba".

Já a secretária das Mulheres e da Diversidade Humana, Lídia Moura, destacou que, "o festival da cultura quilombola é uma oportunidade da Paraíba entender esse pertencimento desses povos e dessas comunidades que fundaram, que construíram a Paraíba. Estarmos juntos nessa parceria com a Secult e com as comunidades quilombolas fazendo essa festa acontecer é de uma beleza ímpar. É uma oportunidade do povo paraibano compreender e interagir, mas entre os quilombolas também, à medida que várias comunidades de várias partes do estado estão aqui. Fazemos de maneira que possa circular essa cultura, esse conhecimento, esse saber que é ancestral".

O mestre Marcos Silva, do Quilombo Mituaçu, afirmou que participar junto com sua comunidade é um momento lindo e de alegria. "É sempre um prazer trazer o povo do meu quilombo para mais um momento tão lindo como esse. Não podemos deixar de estar presente como quilombos e grupo de cultura que somos. Então é uma alegria muito grande estar com meu povo, dessa vez aqui na minha cidade, estou orgulhoso por sermos hoje os anfitriões dessa festa aqui no assentamento de zona rural aqui em Tambaba, tem tudo a ver com a gente que viemos da pesca, da agricultura e festejar junto com outros quilombolas é muito bom. Agradeço o convite do Governo do Estado pela minha comunidade, pelos meus grupos, pelo quintal cultural, em poder estar mais uma vez nesse evento maravilhoso". 

A presidenta nacional da Central Única das Favelas, Kalyne Lima, falou sobre a relação da Cufa com os territórios quilombos da Paraíba. 

"É um momento muito especial. Desde a pandemia iniciamos uma grande rede de articulação, hoje nós temos lideranças quilombolas que compõem a nossa instituição e estamos dentro dessa construção buscando valorizar, conectar, trazer mais qualificação para que esses territórios e essas pessoas possam cada vez mais alcançar seus objetivos de valorização, de pertencimento e de manutenção das tradições. A Paraíba é muito assertiva em valorizar e potencializar essas linguagens e expressões e estamos junto com o Governo do Estado realizando o quinto festival quilombola e muito felizes pela oportunidade e agradecidos, claro, pela reunião de tantos quilombos com tantos talentos e tantas lideranças representativas que fazem com que a nossa cultura, tradição e arte sejam valorizadas", enfatizou Kalyne Lima.

Penha Teixeira, do Quilombo Mituaçu, disse que, “é bastante simbólico que o festival tenha sido realizado em um território de resistência. Após a luta é na festividade e na celebração que a gente consegue se fortalecer, se reerguer, se revigorar junto com as crianças, com os mais velhos, trazendo nosso artesanato, nossa força cultural e nossas energias que pulsam aqui nessa terra, nessa terra preta".