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Paraíba sem Fronteiras leva servidores à Escócia e fortalece inovação no serviço público

publicado: 02/03/2026 11h35, última modificação: 02/03/2026 11h35
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Projetos que nasceram na rotina do serviço público paraibano cruzaram o Atlântico e para adquirir novas estratégias de inovação. Selecionados pelo Programa Paraíba sem Fronteiras, servidores do Estado levaram à Escócia iniciativas com temas importantes, a exemplo da comunicação pública, transparência e educação midiática, e retornaram com metodologias, conexões internacionais e o desafio de transformar o aprendizado adquirido em políticas públicas práticas.

Ao todo, oito servidores foram contemplados pelo edital do Programa Paraíba sem Fronteiras, iniciativa do Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq). Selecionados a partir de projetos que devem ser desenvolvidos nas instituições onde atuam, eles participaram da primeira edição do Curso de Capacitação para Gestão de Políticas Públicas de Inovação, realizado no City of Glasgow College, na Escócia.

A proposta foi ampliar repertórios, fortalecer a formação de gestores públicos e conectar experiências locais ao ecossistema internacional de inovação, com o objetivo central de colocar o aprendizado em prática. “Quando o Governo investe na formação internacional dos nossos servidores, estamos investindo na capacidade do próprio Estado de inovar. A ideia não é apenas oferecer uma experiência no exterior, mas fortalecer projetos que já nascem dentro das instituições e criar condições para que esse conhecimento retorne em forma de políticas públicas mais eficientes e conectadas com a sociedade”, explicou o secretário da Secties, Claudio Furtado.

Esse é o caso de Juliana Marques, filha de um carteiro e de uma professora, a jornalista e servidora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), viu na oportunidade a realização de um sonho. “Eu sempre sonhei em fazer um intercâmbio, mas achava que não seria possível por causa dos custos. Quando surgiu a oportunidade pelo Paraíba sem Fronteiras, vi que poderia ampliar minha formação, ter contato com outras vivências e olhar para o nosso trabalho em inovação a partir de novas perspectivas.”

Seu projeto já tinha foco no combate à desinformação e na formação de servidores públicos em educação midiática, mas a experiência na Escócia ampliou a sua pesquisa. Agora, a perspectiva é internacionalizar parcerias e incorporar metodologias utilizadas por instituições europeias e norte-americanas.

Ela destaca que a vivência reforçou não apenas habilidades técnicas, mas também a confiança para atuar em um cenário globalizado, inclusive utilizando o inglês como ferramenta de trabalho.“A formação em Glasgow foi muito além do que eu imaginava. Trouxe um empoderamento pessoal e profissional enorme. Percebi que nós, servidores públicos paraibanos, não estamos aquém de nenhuma instituição internacional”, comentou.

Com mais de três décadas de atuação no serviço público, Eudes Moacir Toscano, servidor na Controladoria Geral do Estado (CGE), encarou a experiência como um reconhecimento à trajetória profissional. “Mais do que para o projeto individual de cada um de nós que fomos para Glasgow, o mais interessante seria trazer essa filosofia para implantar dentro do governo, dentro do serviço público”, afirma.

Seu trabalho está ligado à política de transparência e à modernização digital do Estado. Durante o intercâmbio, ele aprofundou estratégias para ampliar a participação social e fortalecer processos de transparência pública.

Ao retornar, já iniciou conversas com conselhos e grupos técnicos para implementar ideias discutidas durante a formação, incluindo novas estratégias de engajamento cidadão. Para ele, o impacto do programa pode influenciar metodologias de gestão e estimular outros servidores a desenvolver projetos alinhados às estratégias do governo. “Foi uma experiência muito relevante, porque nos apresentou formas diferentes de pensar a gestão da inovação. A todo momento eu fico refletindo sobre como adaptar essas ideias à realidade do serviço público paraibano, buscando fortalecer ações já existentes e ampliar o engajamento da sociedade nas políticas de transparência.”

Já na Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), Artur Mendes vinha liderando a criação de um núcleo de inovação antes mesmo da viagem. O edital apareceu como uma oportunidade para aprofundar conhecimentos e estruturar iniciativas que ainda estavam em fase de experimentação. “Foi uma imersão intensa. Voltei com metodologias que ajudam não só em projetos de inovação, mas na organização do trabalho e na construção de indicadores e estratégias”, explica.

Seu projeto envolve o desenvolvimento de uma nova mídia para ampliar o acesso à informação pública, utilizando telas digitais em espaços de atendimento ao cidadão. A ideia é democratizar conteúdos produzidos pela comunicação pública, aproximando serviços e informações da população.

Além do aprendizado técnico, ele destaca a importância da troca entre os próprios servidores paraibanos participantes.“Também foi muito enriquecedor conviver com colegas de diferentes instituições do Estado. A gente percebe afinidades, desafios parecidos e constrói conexões que podem fortalecer o serviço público paraibano como um todo.”

O novo passo agora é colocar tudo isso em prática em suas respectivas instituições públicas. A equipe do Programa PBsF acompanhou esses servidores da ida à Escócia até o retorno para a Paraíba, através de mentorias para o andamento dos projetos. “As mentorias são fundamentais porque mantêm os projetos em evolução mesmo após o retorno dos servidores. Agora entramos em uma fase importante, que é transformar esse conhecimento em soluções reais para o serviço público”, concluiu o secretário Claudio Furtado.