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Especialização em Paleontologia fortalece formação científica e preservação do patrimônio no Sertão da Paraíba
A criação do Curso de Especialização em Paleontologia e Conservação do Patrimônio na Paraíba representa um novo passo na interiorização da ciência e na valorização do patrimônio natural e arqueológico do estado. Desenvolvida pelo Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties), da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq) e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a formação está sendo realizada no Campus IV da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Unidade Acadêmica de Sousa, com oportunidades para 30 estudantes.
Voltado a profissionais das áreas de Paleontologia, Arqueologia, História, Geografia, Biologia e áreas afins, o curso tem como objetivo qualificar especialistas para atuar na pesquisa, conservação e divulgação do patrimônio paleontológico e arqueológico, com atenção especial aos sítios da Bacia do Rio do Peixe, incluindo o Monumento Natural Vale dos Dinossauros. A iniciativa integra as ações do Complexo Científico do Sertão e reforça a estratégia de descentralização do ensino superior no estado.
Para o secretário de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties), Claudio Furtado, investir na qualificação científica no Sertão representa transformar o potencial natural em conhecimento, inovação e proteção do patrimônio. “Quando o Estado investe em formação científica no interior, ele não está apenas criando um curso, está estruturando um processo de desenvolvimento. O Sertão da Paraíba já possui uma riqueza paleontológica reconhecida internacionalmente; o que estamos fazendo agora é formar pessoas daqui para pesquisar, preservar e transformar esse patrimônio em conhecimento e oportunidades. A política pública tem esse papel de reduzir desigualdades territoriais e garantir que a ciência seja um instrumento de desenvolvimento regional sustentável”, disse.
Levar uma especialização dessa natureza para o interior foi um processo que exigiu articulação institucional e investimento público. De acordo com o coordenador do curso, o professor Juvandi Santos, a ausência histórica de financiamento para cursos de especialização no Brasil foi um dos principais desafios. “Criar esse curso no Sertão não foi simples. As especializações geralmente não contam com recursos, mas conseguimos viabilizar o apoio da Secretaria de Ciência e Tecnologia, garantindo o pro labore dos professores e uma bolsa de incentivo para os estudantes. Isso ampliou o acesso e aumentou o interesse pela formação”, afirmou.
A seleção reuniu cerca de 100 candidatos para as 30 vagas disponíveis, evidenciando a demanda por qualificação na área. Atualmente, 27 alunos estão matriculados e recebem bolsa de auxílio estudantil no valor de R$ 1 mil.
Segundo o coordenador, o perfil da turma também chama atenção pelo alto nível acadêmico. “Temos seis doutores e a maioria dos estudantes possui mestrado ou outras especializações. Isso mostra o interesse dos profissionais do Sertão em fortalecer a própria formação e contribuir para o desenvolvimento científico da região.”
Patrimônio científico e responsabilidade local
O Sertão paraibano concentra uma grande diversidade de sítios paleontológicos, incluindo registros relacionados a dinossauros e à megafauna pleistocênica. Para Juvandi, formar especialistas na própria região contribui para ampliar a produção científica e fortalecer a preservação do patrimônio.
“Estamos falando de uma área com uma riqueza paleontológica significativa. Qualificar profissionais locais é essencial para ampliar as pesquisas, evitar a depredação dos sítios e garantir a continuidade dos estudos iniciados há décadas”, explicou.
Atualmente, já são 68 sítios paleontológicos identificados, e a expectativa é que a nova geração de especialistas contribua para ampliar esse número e consolidar o Sertão como referência em pesquisa na área.
Aprendizado prático e conexão com o território
Entre os estudantes, a formação tem sido marcada pela integração entre teoria e prática. O aluno Lucas Norberto conta que o interesse pela paleontologia surgiu ainda na infância, após uma visita ao Vale dos Dinossauros. “Sempre tive interesse por animais e dinossauros, e essa experiência marcou muito minha trajetória. Hoje vejo no curso a oportunidade de integrar ciência, história natural e conservação do patrimônio”, relatou.
Lucas é formado em biomedicina (UNIFIP), Ciências biológicas (UNOPAR) e é discente do curso de Tecnologia em Sistemas para Internet (UERN). Segundo ele, a combinação entre aulas teóricas, atividades de campo e estrutura laboratorial tem contribuído para uma formação mais completa. “As aulas práticas no Vale dos Dinossauros e o acesso a um laboratório bem estruturado tornam o aprendizado mais dinâmico e preparam os estudantes para desenvolver pesquisas futuras.”
Ciência, preservação e formação cidadã
Para a estudante Maria Sarmento, a especialização também amplia o olhar sobre a importância da preservação e da divulgação científica. “O que me motivou foi a curiosidade sobre o passado e o interesse pela preservação de patrimônios como as pinturas rupestres em Vieirópolis, que são muito importantes e ainda pouco valorizadas”, afirmou.
Maria é licenciada em Química com mestrado em Química (UFRPE) e Doutorado em Inovação e Desenvolvimento de Medicamentos (UFRN). Ela comentou que a experiência do curso tem ampliado a sua compreensão sobre o papel da pesquisa científica. “A pós-graduação tem sido extremamente positiva e tem ampliado minha visão sobre a importância da conservação e da divulgação do conhecimento.”