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Com apoio do Governo da Paraíba, jovens paraibanas destacam-se na robótica
No Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência e Tecnologia, celebrado no dia 11 de fevereiro, a trajetória de Maria Gabriela dos Santos e Ana Beatriz Borges, de 12 anos, mostra que esse mundo também é feminino. Elas aprenderam cedo que dá para unir circuitos e códigos necessários para a criação de um robô com o mundo mágico de princesas da Disney. Isso porque as duas foram finalistas na modalidade artística da etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica ao unir dança com robótica em uma apresentação do filme Frozen.
A etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) foi realizada em agosto do ano passado, com apoio do Governo da Paraíba, através da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties). O secretário da Secties, Cláudio Furtado, enfatizou a importância de iniciativas que promovam a inclusão feminina nas áreas científicas.
"O Governo do Estado tem investido em programas que incentivam a participação de meninas e mulheres na ciência e tecnologia. Projetos como o 'Limite do Visível', por exemplo, têm feito isso com a oferta de 50% das vagas para mulheres. Isso muda o futuro da pesquisa e da ciência, ou seja, levando mais inclusão e motivando as novas gerações a seguirem esse caminho”, disse Claudio Furtado.
O projeto Limite do Visível é realizado pela Secties, em parceria com a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e a Fundação de Apoio à Pesquisa (Fapesq), com o intuito de proporcionar aos estudantes egressos da Rede Estadual de Ensino da Paraíba a oportunidade de ingressar em dois cursos tecnólogos: Análise de Desenvolvimento de Sistemas e Tecnólogo em Ciência de Dados. No último edital, que ofereceu quase 500 vagas, metade das oportunidades foram destinadas a mulheres.
Trajetória das finalistas na OBR
Concentradas em um computador cheio de códigos, Gabi e Bia conseguem enviar comandos para os robôs que apenas com alguns movimentos acompanham os passos das meninas na dança da música “Quer Brincar na Neve?”, do filme Frozen: Uma Aventura Congelante. Foi com essa apresentação que elas conquistaram a posição na olimpíada, mas o percurso até esse momento não foi fácil. Sob a orientação da professora Stefanye Cortez, as meninas venceram desafios e conseguiram se apresentar.
Além de orientar o grupo, a professora também é mediadora de tecnologia da Escola Municipal Américo Falcão, no bairro do Cristo, em João Pessoa. Ela ressaltou que demorou para compreender a sua vocação para a tecnologia devido a falta de incentivo na infância e luta, através do seu trabalho, para que as meninas das novas gerações consigam enxergar ainda cedo o seu lugar na ciência.
“Ver meninas se destacando na robótica e alcançando classificações expressivas é um presente para mim como educadora. Embora a presença feminina na tecnologia ainda seja minoritária, é fundamental mostrar que as mulheres podem se destacar nesse meio. A dedicação e o esforço delas comprovam que é possível alcançar grandes feitos na ciência e na tecnologia”, comentou Stefanye.
O esforço tem surtido efeito em resultados que vão além da medalha e do troféu recebidos pelas meninas e que podem resultar em um futuro cheio de possibilidades. Para Ana Beatriz, a sua inspiração na ciência não está na ficção científica ou nos personagens de desenhos animados, e sim bem perto dela, na sala de aula. “Quando eu crescer, quero ser que nem tia Stefanye”, conta sorrindo.
Sobre a OBR
A OBR é uma das maiores olimpíadas científicas do Brasil, com mais de 200 mil participantes de todos os estados brasileiros. Ela possui modalidades práticas e teóricas, onde os estudantes podem testar seus conhecimentos ou construir e programar seus próprios robôs. A competição visa transformar a robótica educacional em um tema acessível e estimulante dentro da sala de aula, descobrindo novos jovens talentos e atualizando o processo de ensino-aprendizagem brasileiro.
A etapa estadual da OBR na Paraíba ocorreu de 28 a 30 de agosto de 2024, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa. O evento reuniu 236 equipes inscritas, totalizando cerca de 1.200 alunos das redes públicas e privadas de todo o estado. Durante três dias de competição, as atenções estiveram voltadas para as modalidades de robótica de resgate e a novidade do ano, a robótica artística. Na modalidade de resgate, os robôs são programados para enfrentar cenários simulados de desastres, onde precisam atravessar terrenos desafiadores, superar obstáculos e resgatar vítimas. Já na modalidade artística, as equipes utilizam robôs de forma inovadora e interativa, criando performances que unem arte e tecnologia, como dança, teatro e performances visuais e sonoras.
Participação das mulheres cresceu ao longo dos anos
A presença feminina na ciência brasileira cresceu 29% nos últimos 20 anos, de acordo com o relatório "Em direção à equidade de gênero na pesquisa no Brasil", divulgado em março de 2024 em parceria com a Agência Bori. O estudo analisou a participação de mulheres na produção científica entre 2002 e 2022 e revelou avanços, mas também desafios para a equidade de gênero no setor.
Em 2002, as mulheres representavam 38% dos autores de publicações científicas no país. Vinte anos depois, em 2022, esse número subiu para 49%, aproximando o Brasil da paridade de gênero na ciência. No cenário global, o país ocupa a terceira posição em participação feminina na pesquisa, ficando atrás apenas de Argentina e Portugal, ambos com 52%.
Áreas STEM: Nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), a participação feminina cresceu de 35% em 2002 para 45% em 2022. Embora haja um avanço, a presença de mulheres nessas áreas ainda é menor em comparação com outras disciplinas.